Se você já sentiu aquela “fisgada” incômoda na parte inferior das costas ao se abaixar para pegar algo no chão ou ao se levantar da cadeira depois de um longo dia de trabalho, saiba que não está sozinho. A dor na região lombar — popularmente chamada de dor nas costas — é uma das experiências de saúde mais comuns do planeta, afetando crianças, jovens, adultos e idosos em todos os cantos do mundo.
Mas o que a ciência de ponta realmente descobriu sobre esse problema que atinge tantas pessoas? Abaixo, traduzimos os pontos mais importantes de um dos maiores estudos globais sobre o tema.
A dor lombar deixou de ser um simples desconforto pontual para se tornar a principal causa de incapacidade física no planeta. Estima-se que, a qualquer momento, mais de 540 milhões de pessoas estejam lidando com dores profundas o suficiente para limitar suas atividades diárias.
O número de pessoas afetadas cresceu drasticamente nas últimas décadas, principalmente devido ao envelhecimento e ao aumento da população global.
Quando sentimos dor intensa, o nosso primeiro instinto é imaginar que algo estrutural no corpo “quebrou” ou “saiu do lugar”. No entanto, a ciência revela um dado surpreendente: em cerca de 90% a 95% dos casos, não é possível identificar uma única lesão física específica como a causa isolada da dor.
Os médicos chamam isso de dor lombar não específica. Isso não significa que a dor seja “psicológica” ou “invenção”, mas sim que a coluna é uma estrutura complexa e a dor resulta de uma combinação de fatores, e não apenas de um componente danificado.
Casos graves bem definidos — como fraturas ósseas, infecções ou tumores — correspondem a menos de 1% dos quadros de dor lombar que chegam aos consultórios.
É muito comum corrermos para fazer uma ressonância magnética ou um raio-X na esperança de “descobrir o problema”. Contudo, os especialistas fazem um alerta importante: muitas das alterações vistas nesses exames são perfeitamente normais e fazem parte do envelhecimento natural do corpo.
Estudos mostram que achados como “desgaste dos discos”, “bicos de papagaio” ou pequenas hérnias são encontrados em uma proporção enorme de pessoas que nunca sentiram nenhuma dor nas costas na vida!
Por essa razão, fazer exames de imagem de rotina sem uma indicação precisa não ajuda no tratamento e pode até gerar medo desnecessário.
A dor lombar é influenciada por uma teia integrada de fatores do nosso estilo de vida e do nosso estado emocional:
A boa notícia é que a imensa maioria das dores agudas melhora significativamente dentro de poucas semanas com cuidados básicos e a manutenção do movimento.
No entanto, recaídas ao longo da vida são comuns. Em uma pequena parcela das pessoas, a dor pode persistir por meses ou anos. Nesses casos mais longos, as diretrizes modernas recomendam focar em tratamentos que reabilitem o movimento, fortaleçam o corpo e mudem crenças de medo em relação à coluna, em vez de depender apenas de remédios ou cirurgias.
Embora causas graves sejam raras, existem alguns sinais (conhecidos como “bandeiras vermelhas”) que exigem avaliação médica urgente:
Sua coluna é uma estrutura forte e resistente, feita para se movimentar. Na maioria das vezes, o melhor remédio para proteger suas costas envolve manter o corpo ativo, cuidar da saúde mental, dormir bem e adotar um estilo de vida saudável.
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Hartvigsen, J., Hancock, M. J., Kongsted, A., Louw, Q., Ferreira, M. L., Genevay, S., Hoy, D., Karppinen, J., Pransky, G., Sieper, J., Smeets, R. J., & Underwood, M. (2018). What low back pain is and why we need to pay attention. The Lancet, 391(10137), 2356–2367. DOI: https://doi.org/10.1016/S0140-6736(18)30480-X