Se você já sentiu aquela dor intensa que começa na região lombar e “escorre” pela perna — às vezes acompanhada de formigamento ou queimação —, você sabe o quanto a dor pode travar a rotina.
A boa notícia é que cerca de 90% das crises agudas de ciática se resolvem sozinhas ou com tratamentos simples, como fisioterapia, uso de medicamentos e repouso relativo.
Mas o que acontece quando a dor persiste? Se você já está há 4, 6 ou 8 meses fazendo fisioterapia e o desconforto na perna continua, surge a grande dúvida: vale a pena continuar no tratamento conservador ou a cirurgia passa a ser a melhor opção?
Um estudo clínico publicado no prestigiado The New England Journal of Medicine (NEJM) trouxe respostas claras para essa pergunta.
Diferente de pesquisas anteriores que acompanhavam pacientes logo no início da crise, este estudo focou em um grupo muito específico: pessoas que já sofriam com dor ciática causada por hérnia de disco (nos níveis L4-L5 ou L5-S1) entre 4 à 12 meses sem melhora definitiva.
Os participantes foram divididos em dois grupos:
Ao acompanhar esses pacientes ao longo de um ano, os pesquisadores observaram diferenças significativas:
Em uma escala de dor de 0 a 10 (onde 10 é a dor mais insuportável possível), os dois grupos começaram o estudo com uma média elevada (cerca de 8 pontos).
A dor ciática não afeta apenas o corpo; ela impede tarefas simples como caminhar, trabalhar ou sentar para jantar com a família. O estudo avaliou o grau de limitação diária (medido pelo índice de incapacidade de Oswestry) e mostrou que os pacientes operados recuperaram sua mobilidade e qualidade de vida de forma consideravelmente mais rápida e expressiva.
Um dado muito revelador do estudo: 34% dos pacientes que iniciaram no grupo sem cirurgia acabaram migrando para o procedimento cirúrgico ao longo do acompanhamento porque não aguentavam mais a permanência da dor.
A microdiscectomia mostrou-se um procedimento bastante seguro. A taxa de complicações associadas à cirurgia foi baixa (cerca de 6% a 8%), consistindo principalmente em problemas superficiais de cicatrização ou desconfortos temporários, com raríssimos casos necessitando de nova abordagem.
Se pudermos resumir o aprendizado desse estudo em três orientações práticas para quem sofre com o ciático, seriam estas:
Lembre-se: cada caso é único. O diagnóstico preciso feito por um especialista em coluna, aliado ao exame de imagem e ao seu histórico de dor, é o passo fundamental para decidir qual a melhor conduta para o seu momento.
Para os leitores que desejam aprofundar a leitura na fonte original:
Bailey, C. S., Rasoulinejad, P., Taylor, D., Sequeira, K., Miller, T., Watson, J., Rosedale, R., Bailey, S. I., Gurr, K. R., Siddiqi, F., Glennie, A., & Urquhart, J. C. (2020). Surgery versus Conservative Care for Persistent Sciatica Lasting 4 to 12 Months. The New England Journal of Medicine, 382(12), 1093–1102. DOI: 10.1056/NEJMoa1912658