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17

agosto

Dor Ciática Que Não Passa: Quando Considerar a Cirurgia?

O Que Diz a Ciência

Se você já sentiu aquela dor intensa que começa na região lombar e “escorre” pela perna — às vezes acompanhada de formigamento ou queimação —, você sabe o quanto a dor pode travar a rotina.

A boa notícia é que cerca de 90% das crises agudas de ciática se resolvem sozinhas ou com tratamentos simples, como fisioterapia, uso de medicamentos e repouso relativo. 

Mas o que acontece quando a dor persiste? Se você já está há 4, 6 ou 8 meses fazendo fisioterapia e o desconforto na perna continua, surge a grande dúvida: vale a pena continuar no tratamento conservador ou a cirurgia passa a ser a melhor opção?

Um estudo clínico publicado no prestigiado The New England Journal of Medicine (NEJM) trouxe respostas claras para essa pergunta.

O Estudo: O Que Acontece Após 4 Meses de Dor Persistente?

Diferente de pesquisas anteriores que acompanhavam pacientes logo no início da crise, este estudo focou em um grupo muito específico: pessoas que já sofriam com dor ciática causada por hérnia de disco (nos níveis L4-L5 ou L5-S1) entre 4 à 12 meses sem melhora definitiva.

Os participantes foram divididos em dois grupos:

  1. Grupo Cirúrgico: Realizou a chamada microdiscectomia — um procedimento minimamente invasivo feito para retirar apenas o trecho da hérnia que está pressionando o nervo.
  1. Grupo Conservador: Manteve um protocolo estruturado de fisioterapia ativa, medicações adequadas, orientações de postura e, quando indicado, injeções para alívio da dor (infiltrações).

Os Resultados: Cirurgia vs. Fisioterapia Contínua

Ao acompanhar esses pacientes ao longo de um ano, os pesquisadores observaram diferenças significativas:

1. Alívio Acelerado e Maior da Dor na Perna

Em uma escala de dor de 0 a 10 (onde 10 é a dor mais insuportável possível), os dois grupos começaram o estudo com uma média elevada (cerca de 8 pontos).

  • Aos 6 meses: O grupo que operou viu sua dor cair para 2,8, enquanto o grupo que seguiu apenas no tratamento conservador permaneceu com uma dor média de 5,2.
  • Aos 12 meses: O benefício do alívio significativo se manteve no grupo cirúrgico.

2. Recuperação da Capacidade Funcional

A dor ciática não afeta apenas o corpo; ela impede tarefas simples como caminhar, trabalhar ou sentar para jantar com a família. O estudo avaliou o grau de limitação diária (medido pelo índice de incapacidade de Oswestry) e mostrou que os pacientes operados recuperaram sua mobilidade e qualidade de vida de forma consideravelmente mais rápida e expressiva.

3. A “Migração” do Tratamento Conservador

Um dado muito revelador do estudo: 34% dos pacientes que iniciaram no grupo sem cirurgia acabaram migrando para o procedimento cirúrgico ao longo do acompanhamento porque não aguentavam mais a permanência da dor.

4. Segurança do Procedimento

A microdiscectomia mostrou-se um procedimento bastante seguro. A taxa de complicações associadas à cirurgia foi baixa (cerca de 6% a 8%), consistindo principalmente em problemas superficiais de cicatrização ou desconfortos temporários, com raríssimos casos necessitando de nova abordagem.

O Que Isso Significa na Prática?

Se pudermos resumir o aprendizado desse estudo em três orientações práticas para quem sofre com o ciático, seriam estas:

  1. Não tenha pressa nos primeiros meses: Se a sua dor começou há pouco tempo (menos de 3 meses), o caminho de ouro é a fisioterapia e o tratamento clínico. A maioria esmagadora das hérnias melhora sem cirurgia nesse período inicial.
  2. Respeite o limite do tempo: Se você já ultrapassou o marco de 4 a 6 meses de sintomas persistentes na perna e o tratamento conservador bem feito não trouxe alívio real, a ciência mostra que insistir indefinidamente na fisioterapia pode apenas prolongar o seu sofrimento.
  3. A cirurgia é uma aliada eficiente: Para casos arrastados, a cirurgia minimamente invasiva não deve ser vista com medo, mas sim como uma ferramenta segura e eficaz para devolver a sua liberdade de movimento e a sua qualidade de vida.

Lembre-se: cada caso é único. O diagnóstico preciso feito por um especialista em coluna, aliado ao exame de imagem e ao seu histórico de dor, é o passo fundamental para decidir qual a melhor conduta para o seu momento.

Referência Científica

Para os leitores que desejam aprofundar a leitura na fonte original:

Bailey, C. S., Rasoulinejad, P., Taylor, D., Sequeira, K., Miller, T., Watson, J., Rosedale, R., Bailey, S. I., Gurr, K. R., Siddiqi, F., Glennie, A., & Urquhart, J. C. (2020). Surgery versus Conservative Care for Persistent Sciatica Lasting 4 to 12 Months. The New England Journal of Medicine, 382(12), 1093–1102. DOI: 10.1056/NEJMoa1912658

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